15 de ago de 2010

Conto Especial: Medo do Escuro (por @mecutuca)

Saudações noturnas!

Como devem estar acompanhando, foi realizado um concurso sobre uma aventura de Hugo o Vampiro numa sexta-feira 13! Com muito carinho recebi diversos contos de meus queridos leitores, inclusive contos de amigos queridos, como a @mecutuca do Blog Nem um Pouco Épico! Como ela não está concorrendo e com sua permissão, publico abaixo seu conto:

Medo do Escuro



“When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when it's dark
Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that something's always near”


Passos ressoam no beco escuro. Uma respiração acelerada se movimenta perdidamente na escuridão, fazendo tanto barulho quanto uma tempestade de trovão. E, de repente, silêncio. Um silêncio opressivo, repreensivo. Ela sabia que não deveria ter saído, não numa sexta-feira 13... Ela conhecia o mundo bem demais para se arriscar tão tolamente.
- Garota... – ela podia ouvir o coração dela acelerado no peito, o sangue pulsando pela sua cabeça. – Você não deveria andar por esses becos no escuro. É perigoso.
- Eu estou perdida. – ela disse, com bem menos convicção do que deveria. A sua mão se fechou contra o pedaço de madeira, sentindo uma farpa furar o seu dedo. Aquilo era estranhamente reconfortante.
A escuridão impedia que ela distinguisse qualquer cor na criatura à sua frente. Era como se ela tivesse sido sugada para um filme preto e branco, onde até mesmo a cor vibrante do seu cabelo havia virado um arremedo pobre de cinza.
- Venha comigo. Eu não vou te fazer nenhum mal. – o estranho estendeu uma mão e ela reagiu, pegando impulso com o peito do pé e se lançando na direção dele.
Por pouco não o pegou desprevenido. Ainda mais rápido do que ela, ele a segurou pelos pulsos, impedindo que a estaca se aproximasse demais dele.
- Essas garotas do século XXI... sempre apressadinhas.
- Me largue, criatura do mal! Em nome do senhor, eu te comando!
O homem (ou criatura?) riu e a pressionou contra a parede. O pulso dela doía, a sua cabeça rodava e ela contou até dez para não entrar em pânico.
- Se eu te largar, você vai vir para cima de mim novamente. Eu só iria te tirar desse beco. Você sabe, nem todos os vampiros são bonzinhos como eu.
- Meu pulso dói. – ela reclamou e, antes que ele pudesse perceber, o chutou com força na perna.
Ela foi solta e ao invés de seguir o conselho da sua cabeça e sair correndo dali, ela voou para cima dele mais uma vez. Obviamente, acertou a parede do outro lado do beco.
- Isso não é inteligente da sua parte, garota. – a voz dele era de tédio. – Você sabe, caçar criaturas da noite. Nós não somos idiotas. E você é só uma mortal.
- Eu já matei várias! – ela se virou para ele, ofendida. Uma dor a atingiu em cheio na barriga e ela se curvou um pouco, soltando um gemido de dor.
- Mas nenhum tão forte e tão velho quanto eu. – ele se aproximou e, apesar dos esforços dela, sentou-a em algum lugar no chão, encostada na parede. Ela tentou atacá-lo mais uma vez e ele a segurou com força contra o chão, com um sorriso no rosto que só podia ser deboche.
- Por que você não me mata logo? – ela disse, irritada. – Gosta de brincar com a comida?
- Eu não vou te matar. – ele pareceu se divertir com a idéia. – Você estava andando para um lugar perigoso e eu a segui para ver se saía em segurança daqui.
- Há! – ela deu uma risada amarga. – Você acha que eu compro essa? Eu assisto todos aqueles seriados de vampiros bonzinhos. Deixa eu te dizer uma coisa, eles são FICÇÃO!
- Você não acredita em mim? – ele parecia surpreso.
- NÃO! Então dá para terminar logo o que você tem que fazer? Já que você já provou que eu caminhei diretamente para os braços da morte.
O vampiro riu e a soltou.
- Eu sou um homem de palavra, garota. Vá. Mas não ouse vir atrás de mim, porque não costumo dar segundas chances.
Ela o encarou com olhos amarelos e deu um sorriso cheio de dentes pontiagudos. O vampiro a segurou novamente e piscou uma vez. Provavelmente aquilo era um truque de luz, ou algo da sua cabeça.
- Você não disse que era um homem de palavra, vampiro? – ela disse, soltando a sua estaca.
- Você não é humana. – ela ficou calada. A respiração dela se acentuou, os batimentos se aceleraram novamente. Ela estava nervosa. – Você não é humana, é?
- Você disse que não iria me matar. – ela falou com uma vozinha. O vampiro havia ficado assustador de repente.
- O que uma garota como você está fazendo aqui fora numa noite dessas!? – ele a sacudiu e ela tentou pará-lo, sem sucesso. – O que você é?
- Não interessa. – ela tentou empurrá-lo, sem sucesso.
- Você não tem cheiro de nada que eu conheça. Não pode ser uma pixie, porque não tem orelhas pontudas. Mas os seus olhos são amarelos.
Ela mordeu os lábios, apreensiva. Era agora. Não importava o que ele havia dito antes, ele havia tido tempo o suficiente para deduzir tudo aquilo... seria mais um pouco até que descobrisse o que ela realmente era.
- É uma sexta-feira 13. Você deveria estar em casa, garota. – ele a levantou de uma vez, a deixando um pouco tonta. – Vá para casa antes que algo pior aconteça.
Ela deu dois passos cambaleantes antes de olhar para trás. Ele a observava com olhos atentos.
- Você não vai me fazer correr e depois me atacar, não é?
- Você é tão teimosa que me espanta que ainda não esteja morta.
- O que você é?
- Você ainda está puxando conversa?
- Eu te dei um voto de confiança. Mesmo que se eu corresse, você poderia me matar daqui a três segundos. Por que não conhecer quem tem a minha vida em suas mãos?
- Eu sou um vampiro.
- Há, um vampiro. Vampiros são criaturas sedentas por sangue, que se divertem na malignidade e na barbaridade. Você me deixou ir embora. Você sabe o que eu sou e me deixou ir embora. Você não é um vampiro.
- Nem todos os vampiros são assim. – ele deu um meio sorriso. – Você que teve o azar de encontrar o pior tipo.
- Eles que deram o azar de me encontrar. – ela disse, cruzando os braços. O vampiro pôde perceber que os cabelos dela eram da mesma cor dos dele.
- Você deve ter lido sobre mim.
- Só em lendas.
- Toda lenda tem um fundo de verdade, criança. – e ele desapareceu na frente dela, deixando algo cair com um barulho alto e metálico.
Ela se aproximou, um passo depois do outro, controlando a sua respiração. Fora por pouco, mas agora um deles sabia sobre ela. Era perigoso demais, e se viessem atrás dela? Ela podia com certeza pegar um ou dois vampiros jovens desprevenidos, mas nunca poderia lidar com muitos ao mesmo tempo.
Chegou no lugar de onde o barulho tinha vindo e tirou a pequena lanterna que sempre levava no bolso do casaco. Odiava ter que usá-la, porque sempre ficava cega por algum tempo quando havia mudança brusca de luz e isso era a diferença entre a vida e a morte. Esperou que seus olhos se adequassem à nova luz e o que viu a fez prender a respiração.
Era um broche, um trabalho belíssimo em metal que parecia ter alguns séculos. Era cheio de filigranas, feito com arte que ela reconheceu ser medieval. A sua pedra era da cor do céu e ela reconheceu a jóia das histórias que sua avó contava para que ela dormisse. Havia a jóia que havia sido roubada do homem-lobo, a que havia sido roubada da Rainha-Bruxa... esse era o broche. Ela não conseguia se lembrar do que isso poderia significar, mas tinha certeza que só um vampiro poderia fazer sentido à sua noite.
- Hugo. – ela sussurrou, passando um dedo pela pedra que brilhava à luz artificial. – Hugo Von Sclotstendder, o Imperador Vampiro. 

Leia aqui a aventura no blog da autora!

Se você também gostou tanto quanto eu, e quiser ter seu conto publicado aqui, nao hesite em entrar em contato comigo!

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